Artigos - 15/02/2018

Carnis Levale

Pesquisadores acreditam que a palavra Carnaval tenha origem no latim carnis levale, que significa “retirar a carne”. Aproveitando uma das festividades mais representativas da cultura brasileira, abordamos mudanças recentes que levaram a inovações no consumo de carnes e análogos.

E chegou o Carnaval! Juramos que a festa nasceu no Brasil, afinal, somos a melhor manifestação dela. Mas a origem do carnaval, sem data precisa, pode remontar a 500 A.C. A comemoração se dava pelo fato de ser a última data possível para consumo de carnes antes de um longo período de jejum, que serviria como uma espécie de purificação do corpo e da alma.

Os tempos mudaram, e a festa religiosa se tornou uma festa de abrangência popular, representada por muita alegria e opulência em diversas formas. A essência da festa, o antigo jejum de carnes 40 dias após o Carnaval, hoje é praticado por poucos. Porém, resgatando um pouco da história, permitam-nos a brincadeira de carnaval para voltarmos ao assunto, abordando tendências atuais no que diz respeito ao consumo de carnes.

Um estudo realizado pelo Datafolha em 2017 aponta que 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carnes. Seja por argumentos ambientais, alegações de saúde relacionadas à nutrição ou qualidade de vida, o consumo de carne vem gerando oportunidades. No segmento de análogos, há possibilidade de ampliar o público substituindo as bases alergênicas, além de melhorar o sabor e conquistar o consumidor flexitariano. Mesmo no próprio segmento de cárneos, há uma demanda entre o público consumidor no que diz respeito ao uso de conservantes naturais ou produtos processados a partir de rebanhos com tratamentos considerados menos nocivos aos animais e aos consumidores. Há bastante movimentação da Indústria para atender estes apelos, o que tende a aumentar nos próximos anos.

 Flexitarianos

O crescimento de consumidores que ocasionalmente deixam de consumir produtos cárneos, os chamados “flexitarianos” tem alavancado as vendas de produtos vegetarianos.

A Innova aponta que houve crescimento médio anual de 24% em lançamentos globais de substitutos cárneos. Os alemães são pioneiros entre os flexitarianos, onde 69% dos consumidores alegam ter, pelo menos uma vez na semana, uma refeição sem produtos cárneos. Com a intenção de criar análogos cárneos com textura e perfil nutricional semelhante as carnes, novas alternativas proteicas vêm surgindo. Segundo a mesma pesquisa, as proteínas mais utilizadas em análogos cárneos são de fontes como trigo, soja e ervilha. Contudo, a procura por fontes não-alergênicas e menor residual está em alta, transferindo a demanda por inovações para os fornecedores de ingredientes e soluções.

Oportunidades repletas de desafios na melhoria de textura e sabor. Afinal, o público flexível não aceita nada menos palatável. Pela primeira vez, a indústria de análogos precisa colocar o sabor em primeiro lugar. Bom para todos.

Ó abre alas

Beyond Burger and Impossible Burger são duas marcas americanas que estão ganhando o mercado flexitariano. A primeira, da empresa Beyond Meat, estima que 70% dos compradores de seus produtos com base em plantas são flexitarianos, e não vegetarianos como poderíamos supor. A mais recente inovação da marca é a Beyond Sausage, feita com proteínas de ervilha e arroz, e outros ingredientes como o suco de beterraba. A segunda marca, da empresa Impossible Foods, utiliza a proteína de batata nos ingredientes do hambúrguer análogo, e promete um produto “que sangra”. Nos dois casos, o produto atingiu sabor suculento e textura semelhante ao cárneo.

A rede McDonald’s também está de olho na alta procura por alimentos à base de plantas, iniciando no ano passado uma parceria com a marca vegana Anamma. A empresa Sueca Orkla, dona da marca, desenvolveu o hambúrguer McVegan. Este lançamento foi um enorme sucesso quando testado em vários restaurantes nórdicos, e passará a ser um item regular no menu da rede em 210 localidades na Suécia e 60 na Finlândia.

Preocupada em melhorar sua comunicação com os consumidores, a Unilever refez a rotulagem de 500 produtos vegetarianos, facilitando a sua identificação e reconhecimento pelo público alvo. Outras empresas estrangeiras, como Marks and Spencer e Co-op UK, incrementaram sua linha de produtos adicionando novos sanduiches veganos e incluindo mais opções “meat free” em suas linhas.

No Reino Unido, uma pesquisa pública relatou que um terço dos adultos acreditam que em 2025 os pais não mais oferecerão hambúrgueres e salsichas para seus filhos, por considera-los prejudiciais à saúde.

Aparentemente, nada disso acabará na quarta-feira de cinzas.

Equipe Gramkow